Quem é Rafael Bittencourt
Rafael Bittencourt é um guitarrista, compositor, cantor e produtor brasileiro ligado diretamente à história do Angra. Nascido em São Paulo, começou a estudar música ainda criança, passando por flauta, piano, violão e guitarra antes de consolidar sua carreira no metal. Essa formação mais ampla aparece no jeito como ele escreve: riffs, harmonias, vozes, violões e conceitos costumam caminhar juntos, em vez de depender apenas de solos rápidos.
Em 1991, Rafael fundou o Angra e se tornou uma das peças centrais da identidade da banda. Ao lado de diferentes formações, atravessou fases muito distintas, da era Angels Cry e Holy Land até discos mais recentes como Ømni e Cycles of Pain. Ele também é um dos responsáveis por manter a ligação entre metal melódico, música brasileira e escrita mais progressiva, três elementos que fazem o Angra soar diferente de muitas bandas europeias do gênero.
Além do Angra, Rafael criou o Bittencourt Project, lançou Brainworms I em 2008 e mantém uma atuação forte como professor, produtor, arranjador e comunicador. Em entrevistas, costuma falar da composição como parte central da própria guitarra. Isso ajuda a entender por que o estilo dele não é apenas técnico: a guitarra funciona como uma voz dentro do arranjo, muitas vezes sustentando a música com bases, timbres limpos, harmonizações e escolhas de dinâmica.
Estilo e timbre
O timbre de Rafael Bittencourt é menos sobre excesso de ganho e mais sobre clareza dentro de um arranjo cheio. No Angra, ele costuma ocupar um espaço importante entre a base rítmica, as guitarras harmonizadas e as passagens mais melódicas. A guitarra precisa ter peso, mas também precisa deixar baixo, bateria, teclados e vocal respirarem.
A base do som passa por humbuckers, médios presentes, graves controlados e uma resposta rápida para palhetada. Rafael também usa muito a lógica do violão na guitarra: acordes abertos, inversões, passagens limpas e frases que soam mais compostas do que improvisadas. Isso aparece bastante em músicas que alternam metal, momentos acústicos e partes progressivas.
Nos últimos anos, o caminho prático do setup ficou mais digital. Em entrevista à Guitar World, Rafael citou o Kemper Profiler como solução de turnê por entregar sons de amplificadores valvulados de forma mais prática. Ao mesmo tempo, a relação com a BOSS aparece em página oficial da marca e na coleção de patches do BOSS Tone Central, que registra timbres pensados para high gain, wah, phaser, clean com delay, harmonizer e outras texturas úteis para o universo do Angra.
Guitarras
ESP Custom Shop Eclipse
Guitarra single-cut citada pela própria ESP em vídeo com Luís Kalil e Rafael Bittencourt. A página informa que Rafael usava uma ESP Custom Shop Eclipse que possui desde os anos 90. O formato single-cut com humbuckers ajuda a entregar médios, sustain e corpo para bases pesadas e solos mais cantados.
Ibanez RGD61ALET
Usada para grande parte das bases de Cycles of Pain, segundo entrevista de Rafael à Guitar World. O modelo citado vinha com captador Fishman e ponte Evertune, uma combinação muito adequada para gravações modernas de metal porque mantém afinação, ataque e definição em riffs rápidos.
Gibson Les Paul Standard
Rafael citou uma Gibson Les Paul entre as guitarras usadas para solos em Cycles of Pain. Para o som dele, a Les Paul funciona bem por entregar médios fortes, sustain e um ataque menos cortante do que superstratos muito brilhantes. É uma boa referência para solos mais densos e frases melódicas.
Fender Stratocaster
Também aparece na entrevista da Guitar World como guitarra adicionada em estúdio. A Stratocaster não é a imagem mais óbvia do metal do Angra, mas ajuda em camadas mais abertas, limpas e articuladas. Em arranjos densos, esse tipo de guitarra pode trazer brilho sem ocupar o mesmo espaço dos humbuckers.
Music Maker Custom Shop
Rafael mencionou uma guitarra Custom Shop da Music Maker, marca brasileira, entre os instrumentos usados para solos. A informação é útil porque mostra que parte do som dele não depende apenas de marcas internacionais. O mais importante é a construção estável, bons humbuckers e resposta clara para frases melódicas.
Amplificadores
Kemper Profiler
Rafael afirmou à Guitar World que viaja com o Kemper Profiler por ser uma solução mais prática para levar sons de amplificadores valvulados. Para o contexto do Angra, isso permite alternar bases pesadas, cleans com ambiência e solos com mais sustain sem depender de um rig valvulado grande em cada show.
Marshall JCM800 / JCM900, Mesa Dual Rectifier e Soldano
Na mesma entrevista, Rafael citou esses amplificadores valvulados como referências que gosta. Eles ajudam a entender o tipo de som buscado: médios fortes de Marshall, peso moderno de Dual Rectifier e sustain encorpado de Soldano. Mesmo quando usa Kemper, essa família de timbres é um bom ponto de partida.
Peavey Rock Master
Rafael descreveu seu primeiro rig profissional como uma Charvel by Jackson vermelha com Floyd Rose, um Peavey Rock Master valvulado e uma BOSS ME-5. É um dado histórico importante porque mostra a ligação dele, desde cedo, com amplificação valvulada, multiefeitos e guitarras mais confortáveis para técnica.
Pedais
BOSS GT-100
A página oficial da BOSS lista a GT-100 no gear de Rafael Bittencourt, e o BOSS Tone Central informa que a coleção Rafael Bittencourt foi criada com a GT-100. Os patches incluem high gain, wah, phaser, clean com delay, harmonizer e outros sons que combinam muito com a linguagem do Angra.
BOSS GT-1
A GT-1 aparece listada na página oficial da BOSS para Rafael. Para quem busca uma aproximação mais acessível, ela faz sentido porque concentra drives, delays, modulações e simulações em uma unidade compacta. Não substitui um Kemper em fidelidade, mas ajuda bastante no estudo e em covers.
BOSS ME-5
Multiefeitos citado por Rafael como parte do primeiro rig profissional, ainda em 1988. Embora não represente o setup atual, ajuda a entender a familiaridade dele com programação de efeitos, troca de sons e uso de patches para cobrir diferentes momentos de uma música.
Cordas e acessórios
BOSS Micro BR BR-80
Gravador portátil listado na página oficial da BOSS para Rafael Bittencourt. É menos sobre palco e mais sobre estudo, ideias e produção, uma parte importante para um compositor que trabalha riffs, vozes, arranjos e camadas antes de transformar tudo em música completa.
Setup atual
O setup recente de Rafael Bittencourt parece girar em torno de soluções digitais práticas, especialmente o Kemper Profiler para turnês e gravações.
A entrevista da Guitar World também mostra que ele continua usando guitarras diferentes conforme a função da faixa: Ibanez com Fishman e Evertune para bases modernas, ESP Eclipse e Les Paul para corpo e sustain, Stratocaster para camadas mais abertas e uma Music Maker brasileira para solos.
A leitura mais segura é tratar o rig dele como um sistema flexível: o timbre vem menos de um único equipamento fixo e mais da combinação entre guitarra certa, patch bem regulado, médios presentes e dinâmica de arranjo.
Como chegar perto do som de Rafael Bittencourt
Cada linha mostra três caminhos para chegar perto do timbre do Rafael: o equipamento original, uma alternativa intermediária, e uma versão mais acessível para setups simples ou orçamento mais limitado.
Guitarra principal
3 caminhosA referência mais fiel combina a pegada single-cut da ESP Eclipse com a precisão moderna da Ibanez RGD61ALET usada em estúdio. É o caminho com mais sustain, estabilidade e resposta profissional, mas é caro e difícil de replicar no Brasil. Para chegar perto, pense menos no logo e mais em humbuckers fortes, afinação estável, boa regulagem e ataque claro.
A LTD EC-256 já entrega a ideia single-cut com humbuckers, corpo encorpado e sustain suficiente para bases e solos do Angra. A EC-1000 usada sobe o nível de ferragens e captação, mas o preço aumenta bastante. O principal ganho é chegar no corpo da Eclipse sem entrar no custo de Custom Shop.
Uma guitarra HH bem regulada já resolve boa parte do caminho para bases de metal melódico. O som terá menos refinamento, menos sustain e captadores mais simples, mas funciona para estudar repertório do Angra e gravar covers. Um upgrade futuro de captadores e tarraxas costuma trazer mais resultado do que trocar de guitarra cedo demais.
Modelador / amplificador
3 caminhosÉ a solução mais próxima do caminho recente de Rafael porque permite levar perfis de amps valvulados para palco e estúdio com muita consistência. Para o som do Angra, use profiles na linha Marshall, Mesa ou Soldano, com ganho controlado e médios presentes. O custo é alto, mas a versatilidade compensa para quem toca repertório com muitos timbres diferentes.
A BOSS faz sentido aqui porque Rafael tem página oficial na marca e uma coleção de patches no BOSS Tone Central. A GT-1000CORE é mais moderna e compacta; a GT-100 usada pode ser uma opção honesta se o orçamento for menor. O trade-off é perder a lógica de profiling do Kemper, mas ganhar praticidade e muitos efeitos integrados.
Para estudar e gravar em casa, uma GT-1 ou uma Mooer bem regulada pode chegar perto da intenção do timbre. Use simulação de amp high gain com ganho moderado, corte graves demais e adicione delay curto nos solos. Não terá a mesma profundidade do Kemper, mas já permite trabalhar dinâmica, patches e troca de sons.
Efeitos e texturas
3 caminhosA coleção oficial da BOSS traz pistas muito úteis sobre a paleta de efeitos ligada a Rafael: high gain, wah, phaser, clean com delay, harmonizer e sons mais experimentais. Mesmo que o patch não replique perfeitamente gravações antigas, ele mostra como pensar a troca de ambientes dentro de músicas longas e cheias de seções.
A GT-1 não é a mesma plataforma da coleção original, mas segue a lógica BOSS e permite montar bancos para base, solo, clean, delay e modulações. Para covers do Angra, organize os sons por música em vez de deixar um preset genérico para tudo. Isso melhora muito a transição entre partes pesadas, limpas e harmonizadas.
A versão acessível precisa focar no que aparece mais na música: base definida, solo com sustain, clean com delay e alguma modulação para passagens mais abertas. O harmonizer ajuda em frases lentas, mas pode soar artificial se mal regulado. O segredo é usar poucos efeitos de cada vez e manter a guitarra audível no meio da banda.
Importante: os trade-offs descritos refletem nossa avaliação técnica baseada em fontes públicas. Nenhum equipamento alternativo é endossado pelo artista. Faixas de preço podem variar.
Fontes citadas
Equipamentos e dados técnicos só recebem destaque forte quando existe fonte direta ou referência confiável citada.
- Site oficialAcessar →BOSS Brasil - Rafael BittencourtBOSS Brasil
- Site oficialAcessar →BOSS Tone Central - Rafael Bittencourt CollectionBOSS Tone Central
- EntrevistaAcessar →Guitar World - Rafael Bittencourt on Angra's Cycles of PainGuitar World · Dez 2023
- Site oficialAcessar →ESP Guitars - Luis Kalil & Rafael Bittencourt: Nova EraESP Guitars · Dez 2022
- Site oficialAcessar →MS Metal Agency Brasil - Rafael BittencourtMS Metal Agency Brasil
- Site oficialAcessar →Rafael Bittencourt - canal oficial no YouTubeYouTube
- Site oficialAcessar →Rafael Bittencourt - SpotifySpotify
- Site oficialAcessar →ESP LTD EC-256 - ESP Guitar Company BrasilESP Guitar Company Brasil
- Site oficialAcessar →Kemper - PROFILER PlayerKemper Amps